{"id":2401,"date":"2024-06-08T17:56:09","date_gmt":"2024-06-08T17:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.opoca.org\/midialivre\/?p=2401"},"modified":"2024-11-01T19:09:12","modified_gmt":"2024-11-01T19:09:12","slug":"anda-por-tua-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.opoca.org\/midialivre\/anda-por-tua-cidade\/","title":{"rendered":"Metodologia da Utopia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>Anda por tua cidade: <\/strong>a constru\u00e7\u00e3o do <em>novo<\/em> a partir do cotidiano<\/h1>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Anda por tua cidade. Caminha por seus escombros, por suas belezas, gentilezas, por suas perversidades\u2026. Palmilha essa inst\u00e2ncia querida\u2026, e sob a garoa ou sol ou sombra encontra, escuta, conversa, v\u00ea, diz! Permeia hist\u00f3rias diversas, sente. Percorre vidas alegres, transita por almas machucadas, despeda\u00e7adas. Toma os bondes, entra nos bares. Caminha e bebe \u2013 partilha!, compartilha. Caminha! Trilha por tuas vontades e pelas necessidades do teu povo. Aprende, educa, se educa. Abra\u00e7a teus concidad\u00e3os e constr\u00f3i da\u00ed, com os olhos de tua gente, o novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Anda por tua cidade. Caminha por suas entranhas, por onde a vida acontece e tudo vive, \u201cdeseja, estremece, palpita, murmura e sonha\u201d. Vive, pois, o cotidiano. Esse \u201cbraseiro de mundos\u201d, de vidas, de encontros que \u201co tempo n\u00e3o esgota\u201d e \u201ctodas se cruzam, beijam, penetram\u201d, se correspondem. Se embrenha por essa \u201cteia vertiginosa de fios sem fim, de fios m\u00f3veis, ondeantes, cambiantes, urdindo-se ela mesma, na eternidade impenetr\u00e1vel, sem ningu\u00e9m ver o tecel\u00e3o\u201d \u2026 Tenta ver. Tenta entender\u2026 Vagueia por esses espa\u00e7os onde \u201crigidez, solidez, in\u00e9rcia, n\u00e3o existem\u201d, porque \u201cna fraga mais dura, no bronze mais compacto circulam desejos, dramas, turbilh\u00f5es de mol\u00e9culas e vontades\u201d. E sob os rostos mais alegres ou tristes, falantes ou silenciosos se alicer\u00e7am saberes, sabedorias, virtudes, medos, anseios, experi\u00eancias. Penetra. Convive. Dialoga. \u00c9 tudo \u201cvago, indistinto, confuso, num rumor longo e subterr\u00e2neo. N\u00e3o se destacam, n\u00e3o se desenham as formas\u201d. Procura. Conhece\u2026. Queiras estar onde est\u00e1s\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Anda por tua cidade. Olha os rostos, v\u00ea as paredes, os grafites\u2026 criam, gritam. Ouve as falas, s\u00ea as gentes. Esquece tua idade e descren\u00e7a. Entra no orfanato, convive. Sai dele. Caminha pelas vielas, corti\u00e7os, favelas; pelas pris\u00f5es, escolas e condom\u00ednios de grades de ferro, de grades de a\u00e7o; de cercas el\u00e9tricas e de c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia. De muros altos de pedras, ignor\u00e2ncias; de tijolos e preconceitos perscrutando, investigando nos segredos de seus recantos, teus pr\u00f3prios rec\u00f4nditos. Examina no desconhecido, irrefletido ou ignorado da cidade, o seu \u00e2mago oculto, pessoal, encoberto. H\u00e1 sempre rela\u00e7\u00f5es entre os espa\u00e7os e as gentes. Entre n\u00f3s e as perversidades. Entre as bonitezas e n\u00f3s. E entre n\u00f3s e os outros. Reconhece.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u201ch\u00e1 em cada alma infinidades de almas. E umas t\u00e3o horr\u00edveis e loucas que as escondemos para que as n\u00e3o vejam; e outras t\u00e3o inconscientes e profundas que, habitando conosco, as n\u00e3o chegamos sequer a conhecer\u201d. Conhece, ent\u00e3o, discerne. H\u00e1 outras corajosas que havemos de as deixar transparecer e agir; e ainda outras rebeldes que se as deixarmos aprender, falar e interagir, v\u00e3o ganhando for\u00e7a e saberes enquanto caminham; e outras ainda cautelosas e pacientes que havemos de as deixar nos conter, manter, resistir, persistir, esperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Adentra, reflete, conhece. \u00c9 com extrema dificuldade que o olhar interior projeta sobre si mesmo uma luz (Bloch, [1959] 2005: 132). Projeta, pois, essa luz e confessa. Mas se empenha por confessar uma \u201cconfiss\u00e3o verdadeira, plena, absoluta\u201d, tal qual a fil\u00f3sofa que \u201ca m\u00fasica misteriosa do universo\u201d ela sente; ou como o poeta que no cora\u00e7\u00e3o \u201crepercute a dor eterna da natureza\u201d, e que \u201cao cabo de oscila\u00e7\u00f5es, d\u00favidas e des\u00e2nimos, coordena a idealidade do ser com as apar\u00eancias do ser, o esp\u00edrito com as formas\u201d. Percebe nas ess\u00eancias as formas que elas adquirem; e nos contornos que se desenham, encontra o seu eu oprimido e o seu eu opressor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 pelo fato de se voltar sobre si mesmo que o olhar franco e aberto \u00e9 comprovado (Bloch, [1959] 2005: 164). Procura, ent\u00e3o, as cores e as sombras que as formas v\u00e3o herdando e com a for\u00e7a que a nitidez oprime, se esfor\u00e7a por libertar um superando o outro (o oprimido e o opressor). S\u00e3o muitos e complexos. As m\u00e1scaras s\u00e3o brancas mesmo em peles negras; e os jeitos e os trejeitos s\u00e3o do patriarca, dono de tudo, do capital e de toda a gente, mesmo em corpos pobres e de mulheres jovens. E uns se sustentam nos outros e por vezes vivem todos entrela\u00e7ados entre eles. Apreende. Confessa mesmo que se em sil\u00eancio for e come\u00e7a por superar em si o que no sistema, nas estruturas, nas institui\u00e7\u00f5es, no cotidiano, nega, castiga e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, mata. Liberta em si o que permite \u00e0 vida viver. Permite deixar formar o que afirma a vida humana. Deixa essa ess\u00eancia ganhar forma e deixa a forma ser regenerada por essa ess\u00eancia que, enquanto caminha e absorve, tamb\u00e9m vai se regenerando.<\/p>\n\n\n\n<p>Anda, pois, por tua cidade enquanto aprende, ensina, desaprende, se educa. Caminha enquanto faz e se refaz. Permanece viva! Permanece vivo! O cotidiano, assim como n\u00f3s, \u00e9 um emaranhado contradit\u00f3rio de n\u00f3s. Um e outro s\u00e3o espa\u00e7os privilegiados da utopia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Continue lendo sobre a Metodologia do OPOCA em <a href=\"https:\/\/opoca.org\/pesquisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudos e Pesquisas OPOCA<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Texto inspirado no poema&nbsp;<em>Quer\u00eancia&nbsp;<\/em>de Rodrigo Castro Francini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Bloch, Ernst (2005 [1959]). O Princ\u00edpio Esperan\u00e7a. Volume 1. Trad. N\u00e9lio Schneider. Rio de Janeiro : EdUERJ : Contraponto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">As frases \u201centre aspas\u201d s\u00e3o de: Junqueiro, Guerra (2017). Pref\u00e1cio. In: Brand\u00e3o (2017), Os Pobres. Guimar\u00e3es : Opera Omnia, pp. 9-22.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Texto extra\u00eddo e adaptado da tese de doutorado A Vida Deles e Deles, a nossa, Na Cidade do Anjo: uma utopia cr\u00edtica p\u00f3s-colonial das gentes do cotidiano, de Tiago Miguel Knob e desenvolvida no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal a partir e com as nossas lutas em S\u00e3o Miguel Arcanjo, SP, Brasil. Para ler, v\u00e1 em&nbsp;<a href=\"https:\/\/opoca.org\/publicacoes\/\">Publica\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como citar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Knob, Tiago Miguel (2018),&nbsp;<em>A Vida Delas e Deles, a Nossa, na Cidade do Anjo: uma utopia cr\u00edtica p\u00f3s-colonial das gentes do cotidiano<\/em>. Tese de doutoramento apresentada \u00e0 Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:25%\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anda por tua cidade: a constru\u00e7\u00e3o do novo a partir do cotidiano Anda por tua cidade. Caminha por seus escombros, por suas belezas, gentilezas, por suas perversidades\u2026. Palmilha essa inst\u00e2ncia querida\u2026, e sob a garoa ou sol ou sombra encontra, escuta, conversa, v\u00ea, diz! Permeia hist\u00f3rias diversas, sente. 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